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NOVIDADES SOBRE OS GEOGLIFOS

 

           Há um bom tempo fiquei ansioso com as chamadas do Fantástico porque naquela semana o programa ia abordar os misteriosos geoglifos do Acre, ou seja, aqueles imensos desenhos gravados no solo, feitos por índios pré-colombianos de padrão Pacífico e que só podem ser vistos de grandes altitudes. Na ocasião eu estava escrevendo um livro sobre a origem chinesa de nossos índios e o assunto era prioridade nas minhas pesquisas. Quando no domingo a matéria foi exibida, veio a decepção porque além das belas imagens não apresentava novidades para o meu estudo. Até que no finalzinho, o narrador afirmou que até agora não se conheciam as intensões dos índios ao traçarem aqueles desenhos geométricos (quadrados e círculos) e isto fez que eu pulasse da poltrona e gritasse para o inútil aparelho de televisão que sim, eu sabia do significado das figuras e o porquê da forma de seus traçados. Para reforçar, liguei o computador e fui direto ao site do programa. Queria escrever meus protestos a fim de anunciar ao mundo minha gloriosa descoberta. Mas o quadradinho institucional restringia o espaço para poucas palavras e não dava acesso para anexos. Mesmo assim tentei e como desconfiava o funcionário da outra ponta nem se deu ao trabalho de me responder.

            Para se entender a complexidade das figuras dos geoglifos é necessário considerar-se dois aspectos. O primeiro prende-se à origem chinesa de nossos índios, o que não é nenhuma novidade já que os genes dos índios americanos são compatíveis exclusivos com os habitantes do leste e nordeste da China. O quebra-cabeça a ser montado diz respeito a quando e onde eles intervieram sobre os aborígenes da América. Por diversas razões, no meu livro, este encontro das duas culturas aconteceu no século V de nossa era e até existe um relato de uma viagem em 449 d.C. do  monge chinês Hui Shen que esteve na terra de Fusang (América?) e retornou à China para contar o que viu. No segundo aspecto, há que se considerar a religião dos índios americanos porque eles, antes da chegada dos europeus e ao contrário de nós, não consideravam um deus único e onipotente e acreditavam na transmigração das almas e no culto aos antepassados, tal como os chineses. Aliás, nossos índios tinham resquício do taoísmo como veremos adiante.

            No taoísmo a separação das almas ocorre depois da morte. Reza a crença que todos têm duas almas: o Huem que é a alma individual própria de cada um e o Shem que é o da consciência universal. Quando a pessoa morre, o Huem se separa e vai para a plataforma universal do destino e fica flutuando à espera de nova reencarnação. Nesta espera, nossos índios acreditavam neste tipo de transmigração e que a alma do morto podia ficar vagando ou se incorporar num animal. E também que tal como os chineses, os índios cultuavam a montanha como os sustentáculos do céu e o lugar mais perto dele para depositar suas oferendas às almas dos seus antepassados. Até hoje na China se fazem excursões às montanhas com este fim e também se queimam objetos de papel (televisões, carros, dinheiro preparado, etc.), para mandá-los para o céu com a fumaça e depois serem desfrutados lá em cima por seus parentes mortos. Reforçando mais ainda a ideia da disseminação do taoísmo entre os nativos americanos, estes praticavam parcialmente ou  não, o dualismo - um deus para o bem e outro para o mal - o xamanismo, o respeito às castas, a cremação dos cadáveres e para algumas tribos que enterravam seus mortos, o costume de colocar seus objetos pessoais (líticos) junto aos mortos para seu uso na eternidade e, finalmente, acreditavam em múltiplos deuses, um para cada função. São velhas práticas chinesas e hindus, trazidas ao Novo Mundo com o taoísmo.

            Esta proximidade de crenças de certa forma contribuiu para a datação da vinda dos chineses à América porque o taoísmo - embora existisse como filosofia de vida desde mais ou menos 500 a.C - só fosse concebido como religião depois da introdução do budismo na China, no século I de nossa era. E os sutras indianos incorporados ao taoísmo só foram traduzidos para o chinês no século terceiro depois de Cristo. E justamente foi este neotaoismo (com forte influência religiosa hindu) que foi disseminado entre nossos índios a partir do século seguinte.

             Portanto, não é preciso ser um gênio para concluir que os índios desenhavam aquelas figuras no solo para se comunicar com seus antepassados. E faziam desenhos gigantescos para que lá de cima seus parentes mortos tivessem a necessária visibilidade e de certa forma tomassem as providências para ajudar os vivos. Também no meu livro concluí que os nazcas faziam espirais para pedir água, já que viviam num meio árido e desértico. É que como matemático fiquei surpreso ao ver a sofisticação das espirais produzidas por eles: não eram simples como um barbante enrolado nessa forma, mas uma espiral complexa, traçada com linhas duplas e formando dois lados distintos, um dentro e outro fora da espiral. Como os nazcas aprenderam isto? Também não foi muito difícil resolver a charada examinando o poço de acesso ao aqueduto de Cantalloc através de um declive em forma de espiral. Foi só copiá-lo respeitando os dois bordos limitatórios a partir da água e compreender que este tipo de espiral significava para os nazcas um pedido de chuva. (Este aqueduto foi cavado sob o solo do deserto e provinha de fontes de água das montanhas do leste). Pelo mesmo motivo, desenhavam geoglifos associados ao tema como peixes, baleias e plantas aquáticas. Também foram encontrados em lugares cerimoniais (como o cume das montanhas) restos de cerâmica para água, conchas e pedras roladas de rio.

             Novas pistas da origem chinesa dos índios andinos estão no ideograma "sang" (árvore) desenhado nas montanhas de Paracas no geoglifo apelidado erradamente de candelabro; no também ideograma chinês shan (montanha), em forma de tridente, feitos no cume das montanhas em tamanho descomunal tanto que alguns só foram descobertos com o advento das fotografias por satélites. O mais expressivo foi encontrado entre o sul de Nevada e o Golfo da Califórnia, mais precisamente no deserto de Blythe, um shan tão perfeito no estilo kaishu,  traçado por índios que viveram ao longo do Rio Colorado. Este último está no meu livro com as coordenadas correspondentes e é minha prova definitiva e incontestável da presença chinesa que modificaram os costumes dos índios americanos.

              No Brasil, foram encontrados geoglifos até na região de Mafra, norte de Santa Catarina e divisa com o Paraná. Esses autenticam o chamado Caminho de Peabiru, uma estrada que ligava as paragens andinas do Pacífico com a costa leste do Oceano Atlântico no Brasil, passando pelo Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Foram construídos com valas rasas no meio da vegetação. Para terminar, também existem os geoglifos do Acre que começaram nossa história. Também traçados com valas rasas na forma de círculos e quadrados em terrenos cultiváveis. Por quê? Para os chineses, o círculo significa o céu e o quadrado a Terra. O céu era celebrado pelos chineses que confeccionavam um ornamento cerimonial de jade redondo chamado pi. Outro ornamento quadrado chamado ts'ung era feito para honrar os espíritos da Terra. Em 1950 quando se descobriu a múmia do rei Pacal no coração de sua pirâmide Maia constatou-se que entre outras peças, ele segurava em uma das  mãos um globo e na outra, um quadrado, todos feitos de jade. Portanto, a forma dos geoglifos  acreanos referem-se às reverências aos deuses do céu e da Terra. Aliás, o culto ao jade também era compartilhado pelos chineses e pelos índios americanos. Um exemplo são os muiraquitãs de jade encontrados em toda América Central, na Amazônia e na falecida novela Araguaia. No primeiro caso os muiraquitãs eram usados para pedir chuva, na Amazônia - como tinham água em abundância - mudaram esta intenção para a fertilidade e na novela, o mocinho usou um muiraquitã como amuleto contra mandingas.  E como os geoglifos do sul, os do Acre estão associados ao caminho que unia o hoje Peru ao Parine, perto da Linha do Equador.

              Em 2009 quando finalmente meu livro ficou pronto, envie-o para professores, antropólogos, paleontólogos que eu consegui seus endereços. A grande maioria nem se deu ao trabalho de acusar seu recebimento. Penso que aqueles que leram, tiveram dificuldades de admitir nossa teoria de que os chineses fizeram grandes incursões à América no século V de nossa era. Prendem-se à velha teoria de que o mongolismo dos índios americanos surgiu como consequência da passagem dos asiáticos pelo Estreito de Bering que comprovadamente não aconteceu porque nesta época (mais ou menos 10.000 anos atrás) os caminhos continentais da América estavam bloqueados pelo degelo glacial. Além disso, os primeiros fósseis humanos bem antigos (Luzia, homem de Kennewick, ossadas de Lund, etc.) não são mongólicos! Esta intervenção se deu séculos depois, em consequência do desenvolvimento da navegação chinesa, necessária para poder se atravessar o Pacífico com grandes massas humanas.

               Nossa (terrível) vingança está na evidência de que grandes mistérios ligados aos índios americanos não se vão resolver sem considerar esta intervenção em massa dos chineses sobre os aborígenes americanos. Desde o significado dos geoglifos, passando pelos resquícios taoítas nos usos e costumes de nossos índios, da formação das terras pretas dos índios, na Amazônia, do culto comum ao jade, dos muiraquitãs, das belas peças de cerâmicas marajoaras, dos taoties americanos e chineses e por aí vai.  

               Pode demorar, mas um dia a comunidade científica vai ter que considerar essa intervenção chinesa sobre os indígenas americanos. Se não, como resolver esses e outros mistérios do passado antropológico da América?

           Figuras Nazcas: as espirais duplas (com duas partes, dentro e fora), o shan no beija-flor e na planta aquática.

            O shan (montanha) no deserto é a prova definitiva da intervenção genética chinesa sobre os índios americanos. O estilo kaishu (maneira distinta de escrever o ideograma chinês, praticado  principalmente no sul do rio Yangtze, na China e no século V d.C.) reforça o dado temporal da     vinda dos chineses para a América.

 

Luiz Ernesto Wanke – professor aposentado – Curitiba – Brasil  Fone(041) 33469060 – profwanke@hotmail.com

 
 



CHINESE ANCESTORS OPENED UP AMERICA






Students from University of Beijing










 
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